Desabafo, Outros Papos, Primeira vez, Testamos (e Aprovamos?), Toronto, Virei mãe

Como é um festival de cerveja no inverno, com e sem criança

Então é assim que se veste para ir num festival de inverno de cerveja? Not, really

Ontem rolou, aqui em Toronto, o 4­º Festival de Inverno de Cervejas Artesanais (Roundhouse Winter Craft Beer Festival), no parque Roundhouse, na frente da cervejaria Steam Whistle, vizinha da Torre CN.

Os organizadores do evento não podiam ter escolhido dia melhor: nevou na sexta-feira e hoje, então, parece que a Elza está de TPM: estamos sendo soterrados pela neve.

No sábado, porém, o dia estava perfeito para um festival destes. Quer dizer, perfeito levando em consideração que estamos no inverno canadense, ok? Tivemos temperaturas positivas (três graus), com céu aberto e sem vento. Acho que esqueci de dizer que o evento foi do lado de fora, né? Pois é.

“Normal é estranho”, dizer na barraca da cervejaria Flying Monkey, uma das favoritas do meu marido.

Apesar de estar curiosa, porque nunca havia ido em um festival de cerveja antes, que dirá num tempo frio destes, a preguiça quase não me deixou ir. Estava exausta (como vocês podem ver no vídeo que eu postei no Facebook), sem dormir, com a Alicia queimando de febre e garganta inflamada, há cinco dias.

Mas, tinha ingresso-cortesia na mão e me comprometi a cobrir o evento para a Assoc. de Turismo de Toronto. Meio forçada, fui. Ainda bem. Adorei e me arrependi de não ter chegado mais cedo.

Cobertura do evento, A.A. (Antes da Alicia)

O festival foi muito bem pensado e executado. Os estandes das 45 cervejarias participantes (a maioria de Ontário e seis da província de Alberta, pela primeira vez no evento) foram montadas do lado de fora, assim como food trucks com muita comida boa para acompanhar, com clássicos daqui, como: poutine (fritas com molho de carne), mac’n cheese e hambúrgueres.

A Alicia e as fritas dela, da franquia Smoke’s Poutine

As instalações da Steam Whistle ficaram abertas ao público durante todo o evento. Lá dentro, podia-se fazer um tour de meia hora pela fábrica (que eu fiz e recomendo), tomar uma cervejinha no bar, a única cerveja que eles fabricam, tipo Pilsen (Pilsner, por aqui) que leva o nome da empresa, além de descongelar e descansar num espaço coberto com um estande de café do Jimmy’s Coffee (maravilhoso!), mesinhas e cadeiras, tudo ao som de uma trilha sonora espertíssima. A Alicia, que se juntou a mim no final da tarde, adorou.

Nem só de loira gelada vive um festival de cerveja, no inverno. Um cafezinho entre uma cerveja e outra, para descongelar, faz um bem danado.

É complicado para nós, brasileiros, associarmos inverno com cerveja mas, para quem só tem 90 dias de calor, o negócio é ser criativo e reinventar a roda. E foi isto que eles fizeram.

O festival só durou um dia, das 11 da manhã às 5 da tarde. Eu cheguei já passava da uma e fiquei desapontada por não estar entre as 500 primeiras pessoas da fila, porque essas ganharam um gorrinho do festival e eu, não…

O gorro do festival,  (aqui, chamado “toque”, pronuncia-se “tuque”) que eu deixei de ganhar porque cheguei tarde. Ano que vem ele não escapa!

A $30 dólares a entrada (com direito a uma caneca de chopp) e $1 dólar para cada ficha de degustação, mais estacionamento se estiver de carro, pode parecer um programa caro, mas acredito que o preço relativamente alto foi pensado para evitar super lotação e baderneiros (também houve controle da entrada de pessoas. Lá pelas três da tarde, ninguém mais conseguia comprar ingressos), sem contar a qualidade da experiência e dos produtos oferecidos.

Vamos encher o caneco (literalmente) para esquecer o frio?

Se beber, não reporte

Mas deixa de papo furado e vamos ao que interessa? Quantas cervejas eu tomei, qual a melhor e pior e se fiquei de pileque.

Desculpe desapontar mas eu sou boba para beber….fico tontinha com dois goles. E estava trabalhando, né? O tempo passou tão rápido que eu mesma só experimentei três cervejas, sendo uma a garrafa de Steam Whistle que a gente ganha para beber durante o tour deles, olha só que legal.

Aliás, se seu inglês é bom, estando em Toronto, põe no itinerário um tour pela cervejaria. Custa $10 dólares e dura só meia hora. Dá para fazer quando visitar a Torre CN ou o Ripley’s Aquarium. Mesmo que você não goste de cerveja, como eu (sim, eu não gosto de cerveja, só Malzbier, que é docinha!), vale a pena.

Tive que fazer um selfie com a Gwen, a guia da Steam Whistle, muito gente boa (ixi, tá parecendo papo de bêbado!)

A Steam Whistle ocupa 1/3 das instalações da antiga estação de trem Canadian Pacific Railway Don Station, construída em 1929. Ainda dá para ver a arquitetura original da época, assim como algumas locomotivas e os trilhos da antiga estação ao redor do prédio.

Roundhouse Park, chamado assim por causa do formato circular de onde alojam-se as locomotivas, na época

Eu ganhei o tour deles, mas não estou falando bem por causa disso, não. Nem porque fiquei altinha; como sei que sou fraquinha, optei por não beber; vai que eu esqueço tudo ou dou vexame? Fiz bem, porque aprendi muito sobre a fabricação de cerveja e a dedicação da empresa por seu produto.

Degustação

Antes do tour, eu estreei a degustação com uma cerveja escura, tipo Porter, escolhida por causa do nome: Stranger than Fiction, da cervejaria Collective Arts. Encorpada, com notas de chocolate e a única cerveja canadense a ter ganho uma medalha no World Beer Cup, pelo visto, a mais respeitada competição de cerveja do mundo. Minha sorte de principiante.

Minha primeira degustação, a premiada Porter, Stranger than Fiction, da cervejaria Collective Arts.

Infelizmente, depois que saí do tour, o tempo havia fechado e a neve derretido, virado um lamaceiro que fez o festival parecer a versão de inverno do Woodstock. Mas, a esta altura, acho que ninguém que estava ali se importou ou sequer notou a diferença. Eu estava esperando tombos homéricos rolarem mas não peguei nenhum. Eita povo que sabe beber e manter a compostura!

Lição aprendida: em festival de cerveja no inverno, galochas são ítens de primeira necessidade.

Cobertura do evento, D.A. (Depois da Alicia)

A Alicia e meu marido chegaram por volta das quatro e, a partir daí, a cobertura do festival desandou. Não conseguia mais prestar atenção em nada, a não ser no peso da Alicia no meu colo e das tralhas dela (esqueci a bota de neve dela na escola e nem por decreto iria deixá-la pisar naquela lambança. E nem ela queria sair do colo…).

Ela amou tudo, canadense da gema, nem reclamou do frio. E jurava que estava no festival do chá! Muito engraçado, ficava repetindo: “Tea festival! Tea festival!” Acho que o povo pensou que ela havia ingerido umas brejas, também!

Portanto, este post não é somente sobre um festival de cervejas artesanais em pleno inverno mas a dificuldade que é cobrir um festival de cervejas artesanais em pleno inverno, com criança. Ou qualquer outro festival.

Sim, nos divertimos e a Alicia ganhou até fã-clube de tão hilária que estava, mas vai tentar fazer um post em mídias sociais ou ler os ingredientes e a história da cerveja na sua frente com criança do lado, vai. Em certo ponto eu deixei a degustação para o meu marido, que ama cerveja, mas quando perguntava para ele qual era aquela que ele escolheu, ele: “Cerveja”. Sim, mas qual? “Sei lá, nem prestei atenção, é tudo cerveja”. Ajudou bastante…

A Alicia, posando na frente de uma locomotiva e com duas garotas que a acharam tão fofa que pediram para tirar foto com ela. Eu aguento?

Depois de uma parada para xixi e forrar o estômago com fritas, café e chocolate quente para descongelar, rodamos mais um pouquinho, tiramos fotos e fomos embora, sob protestos da Alicia.

Fila para o banheiro masculino, três vezes menor do que a das mulheres. Ano que vem, venho de fralda!

Não foi desta vez que encontrei a cerveja da minha vida, mas encontrei uma sidra (bebida alcóolica fermentada, à base de maçã) da boa! A Thornbury Cider, servida quente, com toques de canela e caramelo.

Agora é esperar a versão de verão do festival, que deve acontecer em julho. Daí é se preocupar com insolação e desidratação, se a Alicia estiver com a gente…Vida de mãe blogueira…

Mãe num festival de cerveja: mochila do Frozen, copo de café. Fala sério!

Pelas minhas fotos e vídeos nas mídias sociais, parece que a cobertura do festival foi uma brisa e que tudo estava sob controle. Porém, fotos mentem. O que elas não mostraram:

  • que eu tentei fazer o vídeo do festival umas 489 vezes e que desisti, depois de tanta interrupção dos que passavam e dos meus erros constantes. Estou absurdamente enferrujada e, tenho que admitir, telinha nunca foi meu forte.
  • deixei a Alicia em casa com meu marido, com febre e orientações para que ele trouxesse o antibiótico dela, mais metade da casa, se fosse me encontrar. Dito e feito. Só dava o Derrick com a mochila roxa do Frozen nas costas e penico amarelo de abelhinha, na mão. Tem que ser macho para ir num festival de cerveja, cheio de marmanjo, assim.
  • nos sentimos verdadeiramente felizes e gratos por estarmos com nossa filha, nos divertindo e eu ganhando para isso, mas também nos sentimos dois peixes fora d’água, num contraste gritante com o público do festival: gente mais nova, descolada, despreocupada com a vida, ou da mesma idade que a gente, mas em grupo, enchendo o caneco, sem filhos. Senti peninha do Derrick: aquele festival é a cara dele quando se junta com os amigos, para beber. E senti saudade de nós dois, como casal, quando podíamos desfrutar plenamente da companhia um do outro em eventos assim, A.A. (Antes da Alicia).

Mas isto é só um parênteses mesmo, o compromisso que fiz, neste blog, de ser mais verdadeira possível sobre o que é a vida (a minha) depois que se tem filhos. Com certeza, mesmo com todos os percalços, eu vou continuar a levar a minha filha onde puder, porque adoro estar com ela e quero que ela cresça uma criança cheias de boas memórias e experiências. Quem sabe, daqui alguns anos, quem vai estar escrevendo aqui não seja ela mesma?

Apesar dos pesares, qualquer evento fica melhor tendo você do meu lado, meu amor…

 

 

 

Leave a Reply

Required fields are marked*