Positive Parenting, Primeira vez, Virei mãe

Se não puder fazer o ideal, faça o possível

Quem sempre me diz isso é minha grande amiga Rosangela Travençolo, em nossos papos via Whatsapp (porque, cadê tempo para papear por telefone?). Invariavelmente, quando comento sobre minhas tentativas de pegar um cineminha, só eu e meu marido, de namorar um pouquinho, limpar a casa do jeito que fazia antes de ter filho, achar tempo para ler, me cuidar um pouquinho, ir mais à aula de ioga, escrever meu blog ou simplesmente escrever, qualquer coisa, me pego pontuando as conversas com “poderia ter sido isso”, “deveria ter sido aquilo”, “não foi como eu havia planejado” e por aí vai. Ao que ela responde, como um tapinha virtual no meu ombro: “Mas ao menos você tentou, você fez. Se não fez o ideal, fez o possível”.

Se eu estivesse escrevendo este post uns três anos atrás ou “a.A.” (antes da Alicia), com certeza eu estaria tentando desbancar a opinião da Rô. Rebateria, categoricamente, afirmando que dá sim para fazer melhor e que devemos tentar e nunca ficarmos satisfeitos com, simplesmente, “o possível”. Onde já se viu?!

Mas hoje….oh, yeah, hoje é outra história. Engulo minha soberba, todos os dias, amassadinha com feijão. Porque, às vezes, nem o possível é possível nas coisas mais banais do mais banal do dia a dia. Começar e terminar uma tarefa (como este texto, por exemplo) sem ser interrompida por gritinhos de “Mommy!” ou “Xixi!” ou algo (ou a Alicia ou ambos) caindo, quebrando, se espatifando no chão; o desenho que acabou e ela pede para assistir de novo, pela 947a vez (sim, eu deixo minha pequena assistir TV. Me julguem.)? Sério, nem me lembro mais como é.

O ANTES E DEPOIS DE VIRAR MÃE

As prioridades mudaram. Verdades e certezas, hábitos, hobbies e vícios adquiridos em dez anos de casamento sem filhos, tudo virou de cabeça para baixo, deixaram de existir. Liberdade de ir e vir quando bem quisesse e apetecesse? Não mais. Tudo no seu devido lugar e cada cantinho devidamente limpo, lustrado, aspirado e encerado? Sorry, sem chance. Horas na cozinha testando receitas elegantésimas para depois serem degustadas, vagarosa e prazeirosamente, com aquele vinhozinho vintage escolhido a dedo? Estou rolando de rir, para não chorar.

Agora o negócio é o seguinte: três horas de preparação para sair de casa, seja para ir comer uma pizza ou fazer compras no mercado ao lado de casa. Mochilão nas costas com coisas da Alicia (o que vai dentro fica para outro post), penico, carrinho de bebê, minha bolsa (que também serve como segunda bolsa para mais coisas dela) e uma montanha de roupas para vestir, se estivermos no inverno. Quando termino de enfiar tudo no carro, me arrumar e arrumá-la, estou tão suada e desmilinguida que nem vontade de sair dá mais. E quando ela lembra de fazer xixi, já na porta de casa? Bota mais meia hora nisso…

Tem gente que faz leitura dinâmica. Eu faço faxina dinâmica. Virei expert no assunto. Aspiro três quartos, banheiro e corredor em menos de cinco minutos. Como? Brincando de pegar a Alicia com o aspirador! Ela adora! Se faço antes do almoço, ainda melhor: queimo calorias e a deixo exausta, pronta para a sonequinha da tarde.

Ainda perco horas na cozinha mas as receitas agora são para agradar uma criança enjoada para comer, o tal do picky eater, como chamamos por aqui. O vinho? Este eu ainda tomo, numa tacada só, para esquecer a frustração de vê-la recusando tudo o que eu faço, depois de tanto trabalho.

Entendo que morar num país que não é o meu, longe da família e amigos faça minha experiência em ser mãe um pouco mais desafiadora. É quando você aprende que poder passar na casa da sua mãe para filar um rango no meio da semana e não precisar fazer janta não é um direito, mas um privilégio.

HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL, JURO!

Muitos poderão achar este post pesado, pessimista, reclamão. Não é esta a intenção, mas sim ser honesta em relação à maternidade, seus desafios e suas gratificações (e são muitas, eu garanto). Sem firulas, de coração aberto, dando a cara à tapa mesmo.

Foi a forma que encontrei de retribuir a ajuda que tive de tantas outras mães que, sem terem a mínima ideia, me confortaram, me ensinaram, me acalmaram, seja com seus blogs, em fóruns na internet ou apenas deixando comentários em sites relacionados aos tema. Ao dividirem suas frustrações, dúvidas, experiências e vulnerabilidades no universo cibernético me deixaram saber que eu não estava nem sozinha, nem louca e nem era a pior mãe do mundo, simplesmente por admitir que ser mãe não é aquele mar de rosas que pintam por aí, thank you very much.

Hoje, minha filha com dois anos e pouco, vejo meu possível se expandindo. Me adaptando à nova vida, de brinquedos espalhados pela casa, porta-retratos e vasos de cristal acotovelando-se com cacarecos do dollar store e livros infantis de cores berrantes na estante da sala. Na cozinha, botei a Alicia para trabalhar: ela adora fazer omelete e mexer massa de bolo (mas não come nem um, nem outro depois de prontos). Aqui, um an

Se este blog tivesse nascido junto com a minha filha, garanto que seu conteúdo seria 100% sobre ela. Porque este seria o meu possível, já que eu comia, dormia e respirava Alicia (aliás, esquece a parte do dormir. Este seria o ideal).

Mas, mesmo ele só tendo ganhado vida agora, seu assunto principal ainda será a dona Alicia, já que eu ainda como, durmo e respiro minha filha (continue esquecendo a parte do dormir). Mas também aprendi a ser empresária, voltei a ser jornalista e a conseguir comer fora (e apreciar a comida), viajar, visitar lugares, encontrar pessoas e ter vontade de contar tudo aqui para vocês, depois.

E qual o ideal? Por hora é ficar feliz para caramba por ter feito o melhor possível.

 

Revisão de texto: Rosangela Travençolo

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