Outros Papos, Primeira vez, Virei mãe

Me ajuda numa decisão?

Já estava indo dormir mas resolvi fazer este post antes. Talvez para ajudar numa decisão,  tipo “agora eu falei pra todo mundo, vou ter que cumprir”, sabe? Na verdade, é mais para dividir com vocês minha experiência durante o processo. Fica mais interessante.

Quero parar de comer carne e tomar leite de vaca. Não digo “vou virar vegetariana”, apesar de adorar esta estória de “virar” – virei mãe, agora vou virar vegetariana, depois vou virar Mulher Maravilha! Não gosto de rótulos, a pressão fica pior e você fica sendo visto como a neird da festa. Não, eu só quero parar de comer animais e beber o leitinho das vaquinhas. Aliás, nem sei quanto de “leite de vaca” mesmo tem naquele líquido branco que vem numa caixinha que eu compro no mercado.

Eu já vinha namorando a ideia há bastante tempo. Tentei algumas vezes, falhei homericamente mas não desisti do propósito. O que mais me perturba não é o fato de falhar na tentativa mas sim de continuar comendo carne sem querer comer carne! O que pega, para mim, é a falta de tempo e criatividade para fazer pratos gostosos e rápidos sem ter que usar carne.

Você vai morrer de rir, eu sei, mas…eu não sou muito fã de legumes!!! Então como a coisa vai dar certo? Pois é. Mas eu era pior, não comia nenhum tipo de legume ou verdura que fosse diferente de batata, agrião e alface. Fui aprendendo, aos poucos, a expandir o repertório, depois que comecei a cozinhar e a ter que escrever sobre comida. Hoje eu como brócolis, couve-flor, repolho, cenoura, todo tipo de folhas, beringela, abobrinha. Acho que só…mas gosto de frutas. Conta a favor, não?

Nas minhas andanças avaliando restaurantes eu aprendi que o segredo está em como a coisa é feita. Detesto frutos do mar mas um dia comi uma lula num restaurante chiquetão que mais parecia linguiça calabresa. Ma-ra-vi-lho-sa. Quando o garçom disse que era lula, caí da cadeira. E bolo de chocolate com abobrinha? Couve-flor liquidificada com tomate para molho de macarronada? Ninguém diz que estão lá! Pasta ao alho e óleo com brócolis é uma delícia.

Mas o fato é que a minha criatividade na cozinha é limitada, assim como meu tempo. E o fator psicológico: não tem carne hoje? Inconscientemente, a pessoa se sente desamparada, prestes a comer uma refeição sem graça. Só legumes…?

E se eu estou satisfeita com o cardápio, ainda tenho que aguentar a cara de desgosto do marido. É como se eu dissesse que o governo decretou que assistir televisão é crime ou que eu dei a lavadora embora e quem vai ter que lavar louça, daqui para a frente, vai ser ele (e enxugar!).

Também tem a questão da praticidade: é tãããããããão mais fácil passar no mercado, catar uma bandeja de carne moída e fazer bolinho, um refogado, não é? Chega a ser automático: o que fazer para o jantar? Ah, uma carninha moída, pronto.

Mas, agora pensa e me diz: como diz a minha amiga Lavínia, tem coisa mais desumana do que comer a carne e ainda moê-la?! Moer, olha que verbo mais cruel: moer.

Para mim, uma coisa que sempre funciona quando eu quero me convencer a não comer carne é retroceder, mentalmente, a origem daquele pedaço de carne até o seu estado natural, vivo. Portanto, do bife à vaca, que nasceu para gerar e virar alimento. Que cresceu em sabe lá quais condições, que foi medicada com sabe lá quantas drogas para produzir mais leite, crescer mais rápido. Que foi confinada para aguardar sua morte, precoce. Que foi assassinada e depois despelada e esquartejada para…virar este belo bife/ensopado/bolinho que está à minha frente. Não, obrigada, perdi a fome.

É gostoso? Sim, é. Mas por quê? Porque foi temperada, marinada, frita, cozida, assada, grelhada. Porque crescemos nos alimentando disto, nos acostumamos com o gosto da coisa. Vai tentar comer carne sem nenhum tempero, crua, recém-abatida, vai. Da mesma forma, vai dar carne para quem nunca experimentou. Entendeu? Nos acostumamos com determinados gostos e depois fica difícil parar de gostar.

Eu gosto muito da diferenciação que há no idioma inglês para a palavra carne: tem a carne que se come: meat e os demais usos da palavra, como por exemplo, para dizer que somos feitos de carne e osso. Neste caso, usa-se flesh. Acho que humaniza mais a coisa.

Fora a questão ética, o que vem pesando muito é o momento em que eu vou ter que explicar para a minha filha que o que ela está comendo é um pedaço daquele boizinho (ou porquinho ou galinha) que ela viu na fazenda. Ou do peixinho, igual àquele do video que ela assiste toda noite, antes de ir dormir. Pode parecer uma idiotice, mas para mim não é. Desde que ela começou a comer, eu não comprei mais peixe. E me dói ver que ela não quer comer determinado corte de carne e eu forço a menina, porque estou condicionada a pensar que ela tem que comer carne para…para quê mesmo? Porque todo mundo come?

Ame a bolacha e o coelhinho mas só coma o primeiro. Imagine contar para ela que comem-se ambos? Não quero…

A Alicia teve intolerância ao leite de vaca, quando tinha um aninho, idade em que se para de dar fórmula, por aqui. Era dar leite e o bumbunzinho dela ficava todo vermelho, como assadura. Eu parava com o leite, o vermelhão desaparecia. Introduzi, então, o leite de amêndoas e é o que ela toma até hoje, adora. A falta de leite na dieta não prejudicou em nada seu desenvolvimento. Ela come laticínios, sem problemas.

Eu ainda tomo leite de vaca mesmo sabendo que me dá dor de cabeça, se abusar. Depois que mudei para a versão sem lactose passei a tolerá-lo melhor, mas não é uma doideira saber que o negócio te faz mal e ainda continuar a consumi-lo?

Enfim, a ideia deste post não era nem escrever uma dissertação sobre os horrores da indústria pecuária nem colocar no altar todos os vegetarianos e veganos do planeta. Aliás, nem queria escrever tanto. Só quero colocar em palavras minha resolução, que não é resolução de início de ano, mas já que é 1º de janeiro, por que não começar agora? Depois fica mais fácil saber quando comecei.

Ideias e apoio moral são bem-vindas, e se este post fazer engrossar a fila dos adeptos ao não consumo de carne e leite, aí eu vou dormir feliz.

Feliz Ano Novo.

 

 

 

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