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Bye, bye Mamá! Como tirei a chupeta da Alicia

Quem me segue e quem conhece a Alicia, sabe da paixão que ela tem pela chupeta dela. Deixou de ser um objeto de conforto para ser sua melhor amiga, companheira fiel, marca da sua personalidade: ela a usa invertida, desde pequenininha, e não tem jeito. Foi uma das primeiras coisas que ela aprendeu. Eu dizia: “Filha, vira a chupeta!” E a virava, do lado certo. Ela ia, olhava para mim, sorria e a invertia novamente, triunfante.

Com três meses de idade e o chupetão maior do que ela, na boca. Oh, judiação! Cadê a mãe para tirar essa coisa da boca da menina?!
“Só para sacanear a mamãe, que compra chupeta dita como ‘que não afeta a dentição’, deixa eu usá-la ao contrário! Há, há! Quem mandou me dar chupeta? Uso do jeito que quiser!”

Uma das primeiras palavras que ela aprendeu foi “mamá” e eu, claro, fiquei toda feliz, achando que era para mim. Mas não. Era para o chupetão. E assim ficou.

Tamanho é o amor dela pela “Mamá” que eu resolvi usar o nome para batizar a minha série de reviews sobre restaurantes, tendo em vista adultos com criança pequena – O Guia das Mamás.

Então, imagina a minha aflição em perceber que os dentinhos da frente dela estão começando a entortar por causa da bendita, sem contar o problema do hálito, quando acorda, e a insistência em querer usá-la 24 horas por dia. Não dá, ela já está grandinha. É hora de dizer adeus para a Mamá, aliás, já passou da hora.

“Bichinho, brinquedo, Mamá. Tudo que eu preciso!”

Eu dei chupeta para a Alicia logo que ela nasceu, e me arrependo desde então. Fui aconselhada por pediatras para tirar dela ainda bebê, que o sofrimento seria menor. “Dois dias e ela esquece, mãe”, me disse um deles. Mas eu recusei. O sofrimento de quem seria menor? Como eu saberia, de fato, se seria o dela? Achei covardia, já que ela ainda não podia se expressar. Resolvi esperar até que ela começasse a falar, a entender, e entrarmos num acordo mútuo sobre como e quando a Mamá sairia de cena.

Ano passado eu tentei, e quase consegui, mas mudanças na nossa rotina e o fato de ela ter ficado doente muitas vezes, me fez ceder. Consegui fazer com que Mamá ficasse só para dormir, mas vira e mexe a Alicia abusa, pedindo chupeta assim que chega da escola.

Eu e meu marido conversamos muito sobre como fazer para se livrar da coisa, da maneira menos traumática. Ouvi conselhos, vi o que outras mães fizeram, pesquisei na Internet, como sempre faço desde que a Alicia nasceu: gratidão eterna para as mamães internautas!

Primeiro, pensamos em dizer que o coelhinho da Páscoa iria levá-la, mas não achei prudente; poderia azedar a data para sempre. Cortar o bico, como algumas pessoas aconselharam, ou mesmo colocar algo que modificasse o gosto dela, não adiantaria para a Alicia. Ela simplesmente diria: “Ih, mamãe, esta Mamá está ruim. Tem que comprar outra!”.

Pensamos em apelar para a razão, dizer que ela já está grandinha, que o dentinho está ficando torto, que ela não é mais neném, aquelas coisas. Até foto de dente estragado eu mostrei para ela, mas fatos não parecem pesar muito na decisão de uma criança de três aninhos…

Poderia bancar a mãe mandona e dizer: “Agora chega mesmo. É hora de dizer tchau para a chupeta e pronto” mas, e a coragem? Eu já me sinto absurdamente culpada e com remorso de tê-la apresentado para essa porcaria de chupeta. Passei noites remoendo a decisão, conjecturando até se a amamentação poderia ter sido mais fácil e duradoura não fosse esse pedaço de borracha intruso. Não queria, também, ser a vilã que tiraria o amor da vida da minha filha da boquinha dela. Sinuca de bico.

Dois acessórios que não podiam faltar no look da Alicia, quando saímos: Mamá e óculos escuros, até em ambientes fechados!

Foi daí que uma fada madrinha me salvou.

Por aqui, é comum a lenda da Tooth Fairy (a Fada do Dente). Quando o dentinho amolece e cai, a criança tem que colocá-lo debaixo do travesseiro. À noitinha, quando estiver dormindo, a Fada do Dente vem para buscá-lo, deixando uma moedinha em seu lugar.

Resolvi adaptar a estória. Dissemos para a Alicia que, se ela deixasse a chupeta na mesa da sala de jantar, como fazemos com os biscoitinhos para o Papai Noel e as cenouras para o Coelho da Páscoa, a fadinha viria (não especifiquei qual para não queimar o filme da do dente!), a levaria para um bebê precisado e, em troca, deixaria a bicicleta da Elsa que ela tanto queria, com direito a capacete e tudo!

Uma das últimas fotos com a Mamá – fevereiro deste ano. Olha o orgulho na cara da criança!

Ontem foi o dia “D”. Conversamos o dia todo sobre o que aconteceria mais à noite e se ela estava preparada para dizer bye, bye  para a Mamá. Ela afirmava que sim. O papai já havia comprado a bike e o capacete; era só ter certeza de que ela ficaria bem com a decisão.

A noite chegou. Depois do jantar, ela foi para o quarto, pegou a chupeta da caminha dela (sim, a Mamá tem uma caminha só para ela), foi para a sala, a colocou na mesa e acenou: “Tchau, tchau, Mamá!”.

A Mamá tem parte de peso na rotina da noite. Assim que a Alicia sai do banho, já pede por ela, que a fica esperando num móvel, do lado da banheira.

O banho acabou e ela nada, não pediu, mas assim que eu a coloquei no trocador, a vi levando a mão à boca, como se algo estivesse faltando. A força do hábito. Me senti a pior das mães, mas fiz cara de paisagem e continuei a trocá-la.

Na cama, já de pijama e de estória contada, ela não conseguia se aquietar. Tentou por o dedo na boca. Eu, delicadamente, não deixei. Me abraçava, virava para um lado, virava para outro, estava arisca. Não queria que eu cantasse, não queria meu colo. Não queria o vídeo de peixinhos do YouTube que ela adora. Não queria papo. Demorou uma hora e meia para dormir. Eu já estava quase desistindo e cedendo, quando tive a ideia de tentar, novamente, o vídeo. Ele sempre funciona e não me deixo na mão, desta vez.

Assim que eu o coloquei, no celular mesmo, ela começou a assistir e foi fechando os olhinhos, cansada. Não levou mais de três minutos para, finalmente, capotar. Que alívio. Estava me cortando a alma assistí-la sofrer para quebrar o hábito, quase um vício.

Ela dorme a noite inteira mas, por vezes, acorda de madrugada, aflita porque perdeu a Mamá. Já estava esperando passar a noite em claro, mas não aconteceu (amém!). Ela acordou mais cedo, lá pelas 6 da manhã, mas dormiu a noite toda.

Acordou tranquila e pediu mamadeira, como de costume. Assim que desci para prepará-la, a chamei, fingindo surpresa. Ela levantou, toda afoita e quando se deparou com a bicicleta da Elsa na sala de jantar, e nem sinal de chupeta, não acreditou no que seus olhos viam! Realmente acreditou ser a fadinha a dona do feito!

E não é que fadas existem mesmo? Ai, ai, ai, espero que ela me perdoe, quando souber…

Brincou com a bike nova a manhã inteira e nem tocou no nome da Mamá.

Na hora da soneca da tarde, teve um pouco de trabalho para dormir, mas não pediu pela chupeta. Para ajudá-la, eu falei que era para ela adormecer como faz na creche, porque ela não vai de chupeta para a escola. Apelei para o vídeo dos peixinhos, mas ela caiu no sono por si só.

Agora à noite, ela, bem esperta, como quem não quer nada, mandou: “Mamãe, a gente não tem outra chupeta em casa?” E eu: “Não, filha, nós demos todas para a fadinha”. E ela: “Hum, eu acho que a gente tem outra em algum lugar..” Daí eu expliquei que havíamos feito um trato com a fadinha e que, se o quebrarmos, ela pode vir e levar a bicicleta embora. Cruel, eu sei, mas assim já ensino duas lições: que não tem mais chupeta e que acordado não é caro.

Já na cama e de estória contada, dessa vez quis meu colo e que eu cantasse para ela dormir; os peixinhos não surtiram muito efeito: hoje, foi a minha cantoria desafinada quem ganhou. Ela virou para o lado e, depois de uns quinhentos “Boi, boi, boi/boi da cara preta/vem brincar com a Alicia/que é sem medo de careta” (sim, mudo as letras), ela adormeceu, tranquila…

A partir de hoje, eu sou o adulto que mais acredita em contos de fada, no mundo!

 

Para as futuras mamães, se me permitem, um conselho: eu sei que choro de criança é doído de aguentar, eu sei que ter criança que só dorme no seio é frustrante mas, se conseguir, não dê chupeta para o seu filho. As consequências, lá na frente, serão muito piores: problemas na dentição, no hálito da criança (a Alicia acordava com um bafão! Hoje, não.), o perigo de que ela substituía a chupeta pelo dedo, para citar alguns. 

E, vamos ser sinceras, vai: chupeta não é para o bem da criança, é um alívio para os ouvidos dos pais. Sim, ficamos felizes em ver o filho quietinho, “feliz” depois que a danada está na boca, mas que é uma maravilha cessar o choro estridente, a manha, a birra, o que quer que seja, é, não? Eu sei, também, da pressão social, da família (aquela vó que acha “lindo” criança com chupeta…), do incomodo que o filho esteja causando ao redor (viagem de avião com criança pequena, hello!). A carapuça serve justinha, acredite, mas eu me arrependo por ter cedido. Se pudesse voltar atrás, jamais daria chupeta para a Alicia. Lembre-se: o filho é seu e só você, com seu parceiro, tem o direito de decidir sobre o assunto. E dane-se a opinião (e os ouvidos) dos outros. Quando precisar, quem é que vai pagar o aparelho do seu filho, mesmo? Pois é. 

 

E eu sei que o texto ficou longo, mas espero que meu relato possa ajudar outras mães que estejam passando pelo mesmo perrengue…

Qualquer coisa, estamos aqui! Vou atualizando, lá na nossa página do Facebook, no Twitter e no Instagram, como estão indo as coisas!

 

 

 

 

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