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Você conhece Niagara Falls, mas já ouviu falar de Niagara-on-the-Lake, e seus vinhos?

Farofa na vinícola Lakeview, com direito a puxadinho e tudo mais!

Sexta-feira passada, eu trabalhando de casa, com um olho no computador e outro na janela. Mais uma tempestade de neve? Entrei em pânico. Havia acabado de efetuar a reserva para o nosso hotel em Niagara-on-the-Lake, uma cidadezinha histórica fofa de tudo, a menos de duas horas de Toronto.

Como colocar a família no carro para um bate-volta num tempo desses? E por causa de um festival de vinho? Tudo bem que não é qualquer festival, mas o Niagara Icewine Fest, que celebra a produção do precioso Icewine, feito a partir das uvas que são deixadas nas videiras no final do outono para serem congeladas pelo inverno rigoroso da região. Quando estão no ponto, são colhidas a mão, durante a noite, para não descongelarem durante o processo, e processadas imediatamente para a fabricação do tal do vinho.

O congelamento das uvas garante com que elas aumentem seu teor natural de açúcar, o que faz do Icewine um vinho doce e viscoso, quase um licor. Mas tudo isso eu explico depois.

O que pegou mesmo é que eu estava morrendo de dor na consciência: 1) por pegar estrada num tempo desses com a família, mais propriamente com a Alicia; 2) por carregá-la comigo para um festival de vinho. O que as pessoas vão pensar? Que mãe mais irresponsável é essa?

Estou sempre me deparando com esse dilema, porque este é meu trabalho. Mas parei, me acalmei e pensei: a decisão de levá-la comigo para onde quer que eu vá, contanto que seja possível e seguro, foi tomada muito antes desta viagem. Faz parte da nossa rotina, e é a razão de ser deste blog, nossa filosofia de vida, o que nos une como família, acrescenta na formação da minha filha e me norteia como pessoa. Sim, estamos indo para um festival de vinho com nossa filha de quatro anos junto, therefore, nada de enfiar o pé na jaca, hello!

A Alicia já foi para dois festivais de cerveja comigo (um foi ótimo, o outro um fiasco, ótimo aprendizado), um de chá, vários de comida, outro de chocolate, inúmeras prévias para imprensa, e por aí vai. E, de cada um, voltamos com ótimas estórias para contar. Portanto, resolvido, festival de Icewine, lá vamos nós. Se a neve parar.

E não é que parou? Acordamos no sábado de manhã com um dia maravilhoso, perfeito para um road trip. A estrada estava limpa, sem trânsito, chegamos na primeira vinícola do nosso itinerário em menos de duas horas.

Quando retornamos para Toronto, no domingo à noite, trouxemos na mala algumas garrafas de vinho, um monte de roupa suja mas também memórias de um final de semana em família inesquecível, onde teve vinho, sim, mas também teve mergulho na piscina do hotel, passeio nas lojinhas do centro histórico de Niagara-on-the-Lake, “farofada” nas vinícolas, pizza e polenta para almoço e muitas selfies tiradas pela Alicia.

Momento selfie…
Momento paz…

Voltei em paz com minha decisão e morrendo de vontade contar tudo por aqui, para vocês fazerem o mesmo! Senta que o post ficou imenso!

Niagara-on-the-Lake

A cidade fica a vinte minutos de carro de Niagara Falls, um lugar que tem de ser visitado por quem estiver passando por Toronto, Montreal ou destinos próximos. As cataratas estão a apenas duas horas de carro de Toronto, perfeito para um bate-volta.

Apertando, dá para fazer os dois lugares num dia só, mas é corrido. Para quem tiver tempo, eu aconselho um dia nas cataratas e um ou dois em Niagara-on-the-Lake (NOTL).

A cidade é charmosa, tem aquele quê de lugar histórico, cheia de casarões em estilo vitoriano com seus jardins absurdamente bem cuidados, muitas deles transformados em hotéis e B&B (Bed & Breakfast) graciosos. Dá para relaxar só em dar uma voltinha de carro por seus quarteirões (indo de uma vinícola a outra) ou pegando a via Niagara Parkway, que liga a cidade à Niagara Falls, admirando a beleza arquitetônica do lugar, o verde que entremeia as propriedades, com parreiras para todo lado.

Seu centro comercial resume-se a uma rua, a Queen Street, com direito a pracinha que, com certeza, deve ter um coreto! Mas, quem vê o jeito pacato de NOTL nem imagina o passado de glória que a cidade tem.

Foto: NOTL Instagram

NOTL é uma das cidades mais antigas do Canadá, fundada, em 1781, por americanos legalistas durante a Revolução Americana ou Guerra da Independência dos Estados Unidos contra o domínio inglês. Ao final das batalhas, as colônias americanas conseguiram a independência desejada (daí o nome Estados Unidos); já a parte canadense se uniu numa grande colônia, batizada de Upper Canada, também independente, mas ainda com laços com os britânicos, como ainda é até hoje. Newark, seu primeiro nome, ficou com os canadenses e em 1792 foi nomeada a primeira capital do Canadá, perdendo o título logo depois para York (agora, Toronto) justamente por estar muito próxima da fronteira com os Estados Unidos. Vale lembrar que a capital do Canadá, atualmente, é Ottawa, ok?

Parece que os canadenses estavam adivinhando porque, em 1812, os americanos tentariam reconquistar NOTL, incendiando-a completamente, quando viram que haviam fracassado.

Aqui, um adendo engraçado: diz a lenda que, em retaliação ao ataque a NOTL, os britânicos marcharam para Washington e tacaram fogo na casa do presidente. Depois do incêndio, a propriedade foi reconstruída e pintada de branco. Daí o termo White House!

Apesar de pacata, NOTL não esquece seu passado de guerra, com museus a respeito e o forte Fort George aberto para visitação (uma das únicas construções que se mantiveram de pé depois do ataque pelos americanos).

Tanto Niagara Falls quanto NOTL fazem fronteira com os Estados Unidos, com o rio Niagara (que muitos classificam como um estreito e não rio) separando as duas nações, antes briguentas, agora irmãs.

Como deu para perceber, eu amo história, e amo NOTL. Para mim, ela está para Toronto o que Campos do Jordão está para São Paulo. É um lugar bonito, para relaxar, curtir um hotel bom, um vinhozinho. E em qualquer estação. A cidade lota nos meses quentes, ainda mais porque abriga o Shaw Festival, um dos maiores festivais de teatro de repertório da América do Norte, que vai de abril a novembro. Ainda tem campos de golfe, o Butterfly Conservatory e trilhas para todo lado.

Mas vamos ao tal do Icewine Festival

O que faz de NOTL ainda mais legal (como se precisasse) é que a cidade está na latitude 43,5 graus norte, a mesma de regiões vinícolas como: Bordeaux, na França, e de partes da Itália, o que favorece a produção de vinhos por lá. Já o Icewine, para ser produzido, precisa de frio, muito frio, o que também não é nenhum problema para a região.

Todo o processo de fabricação do Icewine é laborioso e arriscado. Como eu disse no início do post, as vinícolas deixam as uvas nas parreiras para serem congeladas e atingirem o teor de açúcar necessário para a produção de Icewine. Quando estão no ponto, são colhidas a mão, quando a temperatura ainda está abaixo de zero, e à noite. Daí, vão direto para trituração.

Cada uva congelada produz somente uma gota de sumo. Por isso, o Icewine é tão mais caro do que os vinhos de mesa. Enquanto, para se produzir uma garrafa dos vinhos tradicionais, é necessário menos de um quilo de uvas, para a fabricação de uma garrafa de Icewine, é preciso o equivalente a 27 quilos da fruta. Qualquer garrafa de Icewine bom não sai por menos de C$ 40.

Mas é gostoso, viu? Por seu alto teor de açúcar, ele é doce, aromático e viscoso. Deve ser servido gelado e em pequena quantidade.

Há mais de 70 vinícolas em NOTL, produzindo vinhos das uvas tipo: Riesling, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir, Baco Noir, Sauvignon Blanc e Vidal, a mais popular para a fabricaçao de Icewine.

Dizem por aqui que não foram os canadenses quem inventaram o Icewine, mas foram eles quem o aprimoraram. O país é o principal produtor deste vinho no mundo, com 80% da safra saindo de NOTL.

Todos os anos, a cidade promove festivais de vinhos e culinária (outra coisa muito boa por aqui), sendo os três maiores: o Homegrown Wine Festival (duas semanas, em junho), o Niagara Grape and Wine Festival (três últimos finais de semana de setembro) e o Icewine Fest, nos três últimos finais de semana em janeiro, o fatídico festival que eu queria tanto ir.

Este ano, ele ocorre entre 12 a 28 de janeiro, com a participação de 35 vinícolas. É dividido em diferentes eventos, de jantar de gala (que abre o evento) a festivais outdoor em Niagara-on-the-Lake e na região de Twenty Valley, ao mais popular deles: degustação e harmonização de pratos com Icewine, oferecido em cada uma das vinícolas, e que foi o que fizemos.

Para participar, é só adquirir um o Discovery Pass, a C$ 45 mais impostos, vendido online. Cada passe dá direito a oito “experiências” ou degustações. Quem não toma bebidas alcoólicas (ou para o amigo da vez), há o passe de C$ 35, que dá direito à harmonização de pratos com bebidas sem álcool.

Eu sempre quis ir para o Icewine Fest. Na verdade, queria mesmo era servir de voluntária e ir lá colher as uvinhas congeladas, mas este ano não deu, quem sabe no próximo. Não, a Alicia não irá comigo, pode deixar. Já pensou, ela lá, de pijama e luvinha colhendo uva no escuro e em temperaturas negativas? Judiação! Mas tenho certeza de que ela iria adorar!

Este ano foi mesmo só o festival, e nos organizamos para conhecê-lo assim:

Entrei no website do festival, escolhi as vinícolas na brochura online deles e joguei tudo no Google Maps, fazendo um itinerário de acordo com a distância entre elas. Fica tudo muito pertinho. Se você for do tipo focado, dá para fazer várias num dia só. Eu coloquei sete vinícolas no nosso itinerário: quatro no primeiro dia, antes de chegar no hotel, e três para o dia seguinte, na volta para casa, com parada no centro da cidade para umas comprinhas e almoço numa delas. No final, conseguimos passar em seis:

No mapa é uma coisa, na teoria, com criança, é outra! Mas até que foi tranquilo, viu?

A vinícola Colaneri foi a primeira que visitamos, por ser a mais afastada do centro de NOTL, no caminho para a cidade. Negócio familiar, instalada num prédio pomposo, enorme, construído em forma de “C”, em estilo romanesco.

Escolhi esta vinícola porque tinha pasta primavera (com legumes) na harmonização de pratos com Icewine, já pensando no almoço da Alicia! Aliás, quase todo o itinerário foi baseado nisso, sem contar que levei uma mochila cheia de comida para ela ir comendo entre uma parada e outra.

Primeira farofada do dia, mas ninguém ousou dizer nada, criança pode!

Vinho excelente (para o meu paladar de leigo, ok?) e ótimo staff: eu pedi uma porção extra de pasta para a Alicia e eles não cobraram. Na sala de degustação de vinhos de mesa, tivemos uma verdadeira aula pelo consultor que nos atendeu (Wayne? Esqueci de anotar seu nome…). O vinho Icewine de uvas Riesling deles é fan-tás-ti-co, também o mais caro, a C$ 70 doletas a garrafa.

De lá, seguimos para a Lakeview, que foi a que menos gostamos. A escolhi por ter pizza no cardápio (harmonizada com Icewine de Cabernet Sauvignon), mas não me empolguei nem com a pizza nem com o vinho, sei lá, não rolou. Apesar de o espaço ser bacaninha, com uma pegada mais despojada, funcionando dentro de um galpão industrial, achei toda a experiência um tanto largada, tipo: “Aqui está a pizza, aqui está o vinho, tchau.”

Interior da lojinha da vinícola Lakeview.
Cadeiras do lado de fora, convidando a sentar, mas e quem consegue nesse frio?

A terceira parada, e última do dia, porque a Alicia já estava cansada, foi a Wayne Gretzky Estates. Nesta eu gostaria de ter passado mais tempo, mas o frio e o fato de estar com a Alicia, não deixaram. A vinícola tem o nome do dono, o canadense Wayne Gretzky, considerado o maior jogador de hóquei no gelo de todos os tempos. Ele ainda está vivo, e novo, com 57 anos.

A vinícola explora bem a paixão da nação pelo jogador, com produtos batizados com o número da camisa dele (99) e lembrando a parafernália usada no esporte, como: taças em forma de patins e acessórios para bar em forma de puck, o disco de borracha usado como bola no hóquei. O lugar é enorme, com espaço para degustação, lojinha, lounge, além de pista de patinação no gelo do lado de fora. Nas paredes, fotos contando a carreira de Gretzky. Além de vinhos, ela também produz uísques e licores, como o delicioso Canadian Cream, que eu não conhecia. Ele lembra a Baileys, também sendo à base de uísque, mas bem mais leve e cremoso, levando Canadian cream na receita. O que é Canadian cream: em poucas palavras (porque o assunto é complexo), é um tipo de leite mais gordo usado para misturar com café.

Alicia explorando o andar superior da loja/espaço para degustação da vinícola!
Merchandising dos produtos da vinícola com o número 99, camisa do jogador quando reinava nas quadras de hóquei no gelo

O hotel

Ficamos no Pillar and Post Inn & Spa, um dos mais tradicionais da cidade, com spa e piscina aquecida, razão pela qual o escolhemos, também porque estava com um pacote bom de diária num quarto grande, mais jantar, café da manhã e vale-degustação em três vinícolas. É agradável, bonito, mas já está mostrando a idade.

Pontos positivos: quarto hiper limpo e serviço impecável: o frigobar do quarto estava enguiçado; eu liguei para a recepção avisando e em menos de vinte minutos ele foi trocado (o que não adiantou muito porque esse outro estava tão capenga quanto a primeiro, mas tudo bem). À noite, antes do jantar, bateram à nossa porta, somente para nos entregar uma rosa, o que a Alicia amou! No restaurante, o garçom que nos atendeu foi uma graça, atendendo a todas as nossas alterações nos pratos, explicando tudo, sugerindo vinhos; tanto que eu nem reclamei por ele ter me trazido pasta sendo que eu havia pedido risoto!

Acho que ela gostou do quarto!
De fome nóis num morre! O leitinho dela, sopa, cereal, arroz e feijão. Levo tudo, porque conheço a filha que eu tenho: tranca a boca quando viaja, e eu que não quero criança com fome, ranzinza do meu lado!
A flor que ganhamos, no quarto, e que a Alicia não soltou mais, nem quando chegamos em casa!
Uma das piscinas do hotel, esta coberta, dentro do spa.
Até a rainha Elizabeth II, do Reino Unido, já esteve por lá. Faz tempo, mas esteve!

Pontos negativos: falta de variedade no cardápio do jantar. Acredita que não tem nenhum prato vegetariano? Para quem não come carne, a opção é escolher um prato do cardápio, que a cozinha o “transforma” em vegetariano. Por isso a confusão com o meu: escolhi risoto mas, some how, acabei recebendo macarrão com alcachofra que, pelo que me lembro, nem constava como ingrediente no risoto. Vai que eu não gosto de alcachofra, faz como?

Capricho na apresentação da manteiga, mas nada de prato sem carne

Café da manhã: pobrinho, pobrinho. Cheio de opções açucaradas, pouca fruta, nem suco de fruta natural oferece. O que salvou foi a estação de omelete e waffles que, pelo que eu entendi, são feitos na hora.

Reforma para inglês ver: apesar de o banheiro do quarto parecer novo, dá para ver que a banheira de hidro é velha, por seus jatos barulhentos, o que para mim não foi problema, mas paga-se a mais por este tipo de quarto justamente por esses mimos, então é chato, né? Sem contar que a banheira é um tico, nem pensar em fazer festinha. Quer dizer, eu e a Alicia fizemos um festão!

Vamos para a cidade?

Quando saímos do hotel, fomos dar uma voltinha na cidade, e foi voltinha mesmo porque estava um frio! Passamos na lojinha de enfeites de Natal, que funciona o ano todo.

Chegar no parquímetro, com toda essa neve, já é uma aventura!
A loja de enfeites de Natal fica aberta o ano todo mas é fácil achar promoções logo depois de dezembro
Olha que souvernir legal!

Depois, fui a loja de produtos irlandeses que tem um bistrô maravilhoso nos fundos, e soube que ele fechou…Fiquei tão triste. O lugar era tão bom, tinha uns quiches deliciosos e umas sobremesas de comer de joelhos. Me lembro de conhecer a dona do lugar, Pat, que me lembrava muito minha vó: cheia de energia, de poucas palavras mas que enchia o ambiente com sua personalidade forte. Com avental sujo de farinha, saía da cozinha e vinha conversar com a gente como se estivéssemos na casa dela. NOTL não será mais a mesma sem o bistrô da irlandesa Pat, mas soube que ela está bem, só cansada, quis se aposentar.

Fui procurar consolo numa taça de Icewine da vinícola Konzelmann Estate. A menos de cinco minutos de carro do Pilar and Post, é a única vinícola com vista para o lago Ontário. Ela não estava no nosso itinerário; a visitamos porque ganhamos os vales-degustação do hotel, e que bom que o fizemos. Passamos quase uma hora por lá, mais conversando do que tomando vinho. Tanto a Ilona, que nos atendeu na parte de Icewine, quanto a Veronica, na parte dos vinhos de mesa, foram uns amores. Soubemos que a vinícola é familiar e que o dono, o alemão Herbert Konzelmman, de 80 anos, ainda é parte ativa da operação, inspecionando tudo, amassando uva, dirigindo empilhadeira! E não é que ele apareceu por lá enquanto fazíamos degustação! Claro que pedi foto!

Na torre da vinícola, admirando a vista das parreiras congeladas com o lago Ontário ao fundo

Há retratos antigos por toda a vinícola. Fiquei imaginando como foi viver por aqui, em épocas como esta…
Tiete, eu?! Imagina! Todos um tanto tímidos, com o senhor Herbert Konzelmann, dono da vinícola.

Outro bônus foi ter conhecido o simpaticíssimo português Gus, consultor sênior de vinhos da empresa, e que me deu seu contato para ser divulgado aqui no blog para quem quiser fazer degustações e visitas guiadas na vinícola, em português. Legal, né? É só mandar um e-mail para ele, com antecedência, para marcar horário. Anotem aí: gusm111@gmail.com. Obrigadinha, Gus!

Hora do rango

De lá, partimos quase atrasados para o nosso almoço no restaurante Kitchen 76, indicação que eu li no blog da Mirella. Obrigada pela dica, Mi! Ele fica dentro da vinícola Two Sisters, pertencente a um milionário do setor imobiliário em Toronto. Optei pelo restô porque tinha pizza no cardápio (sim, por causa da Alicia). Gostei bastante da pizza margherita, assim como o panini com beringela à milanesa. Mas é caro, viu? Enquanto a mesma pizza num restaurante chique em Toronto não custa mais do que C$ 18, a deles foram exorbitantes C$25! Mas o importante é que a Alicia comeu, então pronto.

Se sentindo suuuuuper à vontade no restaurante!

Nossa última parada foi na vinícola Inniskillin, uma das primeiras a se instalar na região e a pioneira na produção de Icewine, liderando este mercado. Há muito tempo, quando estava escrevendo um dos guias sobre o Canadá para a Abril, fiz um tour privado nas instalações da empresa, e gostei tanto da história deles que virei fã. Gosto das edições limitadas dos vinhos deles e do fato de terem sido os precursores na produção de Icewine. Foram eles, inclusive, que criaram, juntamente com a empresa de copos de cristal Riedel, a taça ideal para se tomar a bebida. E olha que faz mesmo diferença (eles têm degustação para Icewine na loja da fábrica e explicam todo o processo).

As “taças perfeitas” para tomar Icewine. E viu como a garrafa também é diferente das dos vinhos de mesa? É sempre assim: magrinha e delgada, com menor quantidade de produto

Passamos por lá ao menos uma vez por ano, para ver as novidades, levar amigos, etc. Mas, vou dizer que desta vez me decepcionei…não sei se por causa do frio ou porque eles não precisam de propaganda extra, mas achei a harmonização de pratos com Icewine deles tão chocha…O prato era frango frito acompanhado de waffle e molho picante à base de Icewine, harmonizado com Icewine da uva Vidal, a mais popular da região. Eu não comi o frango mas a cara dele não estava nada boa: preto, de tão estorricado, e murcho. Dava tristeza de olhar. O pedaço de waffle era minúsculo e servido frio. Nem o chocolate quente com infusão de Icewine Cabernet Sauvignon empolgou. Parece que eles estavam fazendo parte do festival só porque tinham que fazer. sabe? Eu ainda te amo, Inniskillin, mas que ficou chato, ficou. Ainda bem que a paisagem do lugar nunca desaponta!

Estação do chocolate quente com infusão de Icewine, do lado de fora. Um frio!
E a Alicia mandando ver nas comidinhas dela!
As parreiras na frente da vinícola Inniskillin, e por toda a volta em NOTL
Fui eu que bebi demais ou tem um cavalo dourado atrás daquela árvore?!
Minha canadense sendo criança, tão gostoso correr na neve!

Enfim, esta foi a saga do nosso final de semana em NOTL. Espero que o relato sirva para suas futuras aventuras por aqui. Vale lembrar que o Canadá tem uma legislação super restrita em relação a dirigir depois da ingerir bebidas alcoólicas. Acredito que, pela natureza da região, a fiscalização deve ser mais branda por lá (não vi um carro de polícia nos dois dias que estive por lá), mas não vale a pena arriscar. Meu marido foi o amigo da vez, dividindo as amostras comigo, que eram minúsculas. Algumas, nem chegamos a terminar.

Outra dica é prestar atenção na neve da estrada, principalmente a neve “pisada”, que já foi neve, derreteu, endureceu, virou gelo e foi coberta por uma nova camada de neve fresca. Dirija devagar e, no caso de perder a direção, nem acelere, nem freie bruscamente. Deixe o carro te levar, enquanto tenta voltar ao curso normal. Aqui eu falo de como dirigir na neve.

Muitas vezes, pegamos a estrada assim, só para a gente. Vazia mas escorregadia, por isso, cautela em dobro

Como chegar:

É muito fácil chegar em NOTL. De carro, partindo de Toronto, chega-se em Niagara-on-the-Lake em menos de duas horas. Pela rodovia QEW, sig em direção a Niagara. Depois de atravessar a ponte Garden City Skyway em St. Catharines, pegue a saída 38B, seguindo as placas para Niagara-on-the-Lake, Highway 55. Pegue a Highway 55 por 12km até chegar na rua Queen Street.

Também dá para ir com excursões, de ônibus, de Uber, até de avião. Mais informações, no website oficial da cidade.

 

Bom passeio! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12 Comments

  1. Que lugar lindo, não conhecia a vinícola, mas adoro vinhos de gelo, é um aperitivo muito gostoso. E que lugar mais maravilhoso, hein? A pequena se esbaldou.

    1. Alessandra Cayley

      Ah, sim, Edson! NOTL é realmente linda, vale a pena colocar no itinerário quando visitar Niagara Falls. Nos esbaldamos os três: ela, sem moderação! 😉

  2. Amei o post. Estou querendo conhecer Toronto esse ano e sua dica foi super valiosa.

  3. O mais próximo que cheguei dessa região foi em Bufallo NY e do lado americano das cataratas do Niagara.. Embora não conheça o lado canadense ainda, ja ouvi falar muito bem das vinícolas da região e já provei o Ice Wine dai.. Muito bom como aperitivo ou queijos.

    1. Alessandra Cayley

      Temos vinhos muito bons por aqui, Oscar. Precisa passar deste lado da ponte para conhecer! Abração

  4. Ah que saudades do Canadá…. ainda queremos conhecer a costa leste canadense. Nós também levamos nossas pequenas para todo tipo de degustação que vamos rssrs. Como visitar kelowna e não ir às vinícolas maravilhosas?? E lá foram elas e amaram o piquenique que fizemos no gramado de frente ás parreiras e apreciando o Rio Okanagan.( https://viagemeintercambioemfamilia.wordpress.com/2018/02/14/de-victoria-a-banff-com-criancas-primeira-parte/) É perfeitamente possível incluir as crianças nos “programas adultos”, basta estar preparado para algumas limitações e adaptações.

    1. Alessandra Cayley

      Kenia, que delícia seu post sobre Kelowna! Que vontade que deu! E que bom saber que não sou só eu que faço dessas! 😉
      Mas, está vendo? Suas meninas se divertiram muito também, não é? Cada paisagem! Amei! Viajei com vocês, lendo seu post! Obrigada por passar por aqui e um brinde a novas aventuras!

  5. Ana

    Ainda não conheço mas certamente irei. Muito lindo e muito legal.

    1. Alessandra Cayley

      Obrigada, Ana! Vem, sim, o Canadá é lindo e NOTL, imperdível! Bjs

    2. Alessandra Cayley

      Obrigada, Ana! Vem, sim!

  6. oi Alessandra… não sei o que eu mais gostei neste texto. A pequena cidade é linda e acolhedora, assim como sua história. Também adoro conhecer o passado dos lugares por onde passo. Há tempos que acalento a vontade de visitar o Canadá e você me fez desejar NOTL.
    Nunca experimentei Icewine, não sou muito fã de vinhos licorosos, mas fiquei muito curiosa por conhecer este sabor. Achei o processo de colheita interessantíssimo. 🙂

    1. Alessandra Cayley

      Oi, Ana Luiza, que bom que meu texto despertou essa vontade em você!De vdd, NOTL é um encanto de cidade, tem que passar por lá quando visitar Niagara Falls. Marque aí no caderninho do bucket list! Icewine é um vinho muito peculiar; se harmonizado de forma correta, é um espetáculo, se não (especialmente se não estiver super gelado), é um fiasco. Vem pra cá experimentá-lo! Um abração!

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