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O dia em que andamos de balão em Quebec

Quem não tem uma bucket list, a famosa lista de desejos a serem realizados antes de partimos dessa pra uma melhor? Mesmo que seja pequena, com um item só, todos têm. 

Em agosto deste ano, risquei um dos ítens da minha lista, e quem nos acompanha no Insta participou da aventura: voar pelos ares a bordo de um balão de ar quente. Não chegava a ser desejo, mas uma fascinação que eu tenho com eles, que aumentou quando li, ainda adolescente, o livro “O Balão Amarelo“, da escritora Lucilia Junqueira de Almeida Prado. O bendito me marcou de uma tal maneira! Talvez por juntar elementos que calavam fundo no meu coração: balões, aventura, amores impossíveis e uma vó doidona, deliciosa, como a minha, D. Aurora querida. 

Imaginem, então, a minha alegria quando eu descubro que existe um festival de balão de ar quente pertinho de mim (pertinho, naquelas). É o International Balloon Festival of Saint-Jean-sur-Richelieu, na cidade de Saint-Jean-sur-Richelieu, que fica na província de Quebec, a 40 minutos de Montreal e umas cinco horas de viagem, de carro, de Toronto, onde eu moro.

Prepare-se que o post é grande e recheado de fotos, porque foi um espetáculo daqueles. Fica a dica valiosíssima para quem estiver pensando em visitar estas bandas do Canadá no ano que vem. 

O festival de balões de Saint-Jean-sur-Richelieu já ocorre há 35 anos, no verão canadense. Este ano, de 11 a 19 de agosto. 

O melhor de tudo é que ele não é somente um festival de balões, mas um mega evento para toda a família, com shows para os adultos e parque de diversões para a criançada. No site oficial, os organizadores pregam que o festival é o mais kid-friendly do Canadá. Claro, duvidei, e paguei a língua. Não conheço todos os festivais do país, mas fui em vários, muito bem feitos, como o The Big Feastival, mas este meu camarada, é páreo duro, ganha de tudo o que eu já havia visto.

Estou no lugar certo?

O festival ocorre nas premissas da base aérea da cidade. Pelo portão que entramos, na parte de trás do evento, a primeira coisa com que nos deparamos foi a parte de brinquedos infláveis para a criançada que, de tão grande, nos fez duvidar se estávamos mesmo num festival de balões. Sem contar que, quando chegamos, por volta da 1 da tarde, não havia um balãozinho à vista: eles só começam a aparecer depois das 5 da tarde. Antes disso, só brinquedos e shows. 

Eram dezenas de infláveis, dos mais variados tamanhos e estilos: dos tradicionais pula-pula a escorregadores, trens, labirintos e até de escalada. Tudo separado por faixa etária: tinha a seção dos bebês, com caixas de areia e piscina de bolinhas; a dos toddlers e a dos mais grandinhos. 

O que a Alicia mais fez foi correr, e descalça! Era tanto brinquedo inflável, um atrás do outro, que não dava pra perder tempo pondo e tirando sapato!
Tinha locomotiva…
Coliseu, tartaruga e pista de patinação
Escorregadores de tudo quanto é jeito…
…e tamanho. Haja pique!
Para escorregar e para escalar, em inflável, mas ainda com segurança
Para os pequenos, mega caixas de areia…
..e piscina de bolinhas, que a Alicia amou!

Além destes, o festival também tem um parque de diversões de verdade, que não está incluído no preço do ingresso, mas pode-se comprar tickets em separado.

É tanta coisa para se fazer que o melhor, mesmo, é comprar o ingresso para  os nove dias do evento (preços no final do post). Nós passamos dois dias por lá e a única coisa que fizemos no parque de diversões foi ir na barraca de pesca, porque a Alicia queria um bichinho, e na barraca de comida, porque a mamãe da Alicia queria algodão-doce, Barbe a Papa, em francês, quase igual Barbapapa, o desenho, quem lembra?

Quem vê pensa que ama loucamente…Nem comeu, tive de dar conta sozinha!

Outro aspecto que me surpreendeu foi a atenção com os detalhes para o bem-estar das famílias com crianças: do banco com um lembrete carinhoso de que “Todas as crianças do mundo têm direito a alegria e um momento de descanso” ao fraldário e tendas de apoio, como a que distribuía braceletes para a identificação dos pequenos.

Banco com recadinho
A tenda-fraldário, equipada com trocadores, cadeirões, fraldas, lenços umedecidos, microondas e um espaço separado para amamentação. Tudo absurdamente limpo. E olha a decoração, com balõezinhos!
Ao lado, outra tenda, só com pias
Sacos para descansar e brincar no meio do parque e espaço de sobra para andar. Só o relógio que não ajudou, esticando as horas do dia para aproveitar tudo isso!
Agraciados com um arco-íris, que eu só reparei que estava na foto no caminho de volta para casa
Aquele anoitecer mágico de filme, sem filtro na foto

Mas, cadê os balões?

Eu também não via a hora de vê-los!

Por volta das 5 da tarde, foi hora de pegar a fila para retirar o cartão de embarque, com as informações do meu balão e piloto. Depois, esperar para ser chamada pela equipe e só aí adentrar o campo de onde saem os balões. A família pode ir junto, mesmo se não for no passeio com você. Eu tive de voar solo, sem o Derrick, que ficou cuidando da Alicia, que ainda é  muito pequena para o passeio. No dia seguinte, seria a vez dele. 

Olha eles aqui! De quem será essa perna azul?
O Bidu da Turma da Mônica! De uma empresa brasileira, a Air Fly Balonismo e Infláveis, de São Paulo
Para se ter uma ideia do tamanho do Bidu e de alguns balões!
O cesto do meu balão, com o Dani, esse gato de piloto (o sorriso dele não lembra o do Tom Cruise?), e o fofo do filho dele. O dedão na foto é o meu, uma pilha de nervos…

Eu imaginava que o cesto dos balões era maior, mas o pessoal da equipe me explicou que ele é proporcional ao envelope (parte de tecido) de cada balão. No nosso, iriam três pessoas: eu, o piloto e mais uma passageira.

É preciso muque e uma turma afinada pra fazer um balão de ar quente voar!

Não há limite de idade para o passeio, mas altura mínima, de 1,20 m. Pela delicadeza da operação, este passeio não é para crianças. No cesto, óbvio, não há cinto de segurança ou nada que nos prenda, somente alças de apoio do lado de dentro da borda. Durante a viagem, lá em cima, ficamos soltos. 

O lado interno de um cesto de balão. Os tanques, em cada lado, são de gás propano, aquele foguinho que a gente vê saindo do balão, só acionado para fazê-lo subir. Depois, o trabalho é todo do vento.

Como o espaço é pequeno, não dá para ficar zanzando muito, mas dá para ir trocando de lado, devagarinho, para ver todos os ângulos da paisagem, que é lindíssima. Se dá medo? Putz, se dá. Um tremendo medo. Mas vai com medo mesmo, porque é uma experiência inesquecível. 

Olha eu aí, subindo, subindo…

Do que mais gostei e do que menos gostei

Da aventura toda, o que mais me marcou foi o silêncio absoluto (sonho de consumo de toda mãe!) e a sensação de paz que se sente lá em cima. Parece que o tempo parou, que nada mais se movia, a não ser os balões, de forma vagarosa, tranquila, em câmera lenta, seguindo seus caminhos, literalmente ao sabor do vento, porque é ele, não o piloto, quem controla a trajetória.

Já o que deixou a desejar foram as interrupções constantes desse silêncio de ouro pelo barulho do maçarico do balão, e o bafo bem no cangote que vinha dele, quando acionado pelo piloto, a fim de jogar ar quente dentro do envelope e fazer o balão pegar altitude.

De repente, tudo vai ficando pequeno, até o Bidu gigante.
É nessa hora que você pensa onde estava com a cabeça quando quis fazer esta loucura…

Na foto acima, eu deixei a borda do balão aparecendo de propósito, para vocês terem uma ideia da visão. Eles pedem para que não se apoie nela na tentativa de olhar para baixo, para não desequilibrar o balão. Uma vez dentro do balão, você “não é apenas um passageiro, mas parte do equipamento”. 

A única vez que perguntei nossa altitude, estávamos a 552 metros de altura, ainda no meio do passeio. Não perguntei mais, certas coisas é melhor não saber…

Passado o medo, é relaxar e aproveitar a vista privilegiada

Esta foi a minha visão, lá de cima:

E esta foi a do meu marido e da Alicia, lá de baixo:

Um passeio de balão pode durar de 20 minutos a uma hora e meia. Tudo vai depender das condições do vento e da quantidade de combustível. Eu acredito que o meu tenha durado uns 40 minutos.

Quando já estávamos mais próximos do chão, por onde passávamos éramos saudados pelos moradores do lugar, quem nem tinham ideia de onde iríamos pousar. Nem eles, nem nós.

E não é que pousamos pertinho deles, no meio da rua?! 

Não só a gente, mas uma galera toda! 

Foi a alegria da vizinhança! Uma menina me contou que isso não acontecia desde 2004, quando ela nem havia nascido.

Nossa equipe nos explicou que o piloto decide quando pousar de acordo com quanto ainda tem de combustível e da direção e condições do vento, e que tem de procurar um lugar seguro, sem fios elétricos ou grandes obstáculos para o pouso. Para a minha surpresa, eles conseguiram tirar nosso balão da árvore em poucos minutos. Todo mundo ajudou. 

Em pouco tempo, as ruas adjacentes lotaram de balões, mas tudo na mais perfeita ordem. 

Mesmo assim, baixou polícia.

Mas foi só para saber se estava tudo bem, ufa!

Para fechar bem a experiência, tivemos direito a batismo com champanhe, francesa, é claro! 

Um detalhe que eu gostei bastante foi a delicadeza e o respeito da equipe com os donos da casa à frente de onde pousamos: pelo “incômodo” causado, eles foram presenteados com cupons para voos de balão e uma garrafa de champanhe. 

Foto com nossa equipe, que nos levou de volta ao parque, de van. Amei voar com eles!

Senhor Vento

No segundo e último dia de passeio, foi a vez do papai da Alicia andar de balão, o que infelizmente, não aconteceu…

O vento não estava bom, soprando forte para a direção dos rios que cercam a cidade o que, como bem colocou o piloto do balão do Derrick: “Ninguém quer transformar a aventura aérea em aventura marítima”. Não mesmo.

Nuvens e vento forte impediram os balões de subirem. Alguns até tentaram, mas o nosso piloto, mais precavido, resolveu não arriscar.

Esperamos um tempão. Para checar a direção do vento de forma segura, bexigas foram soltas no ar pela mascote do time! 

Mais espera, mais bexiga e o balão vai virando sofá…

Até que, já próximo das 8 da noite (e eles só podem voar enquanto estiver claro), os organizadores deram o veredito: nada de balão por hoje. 

Mas a noite não terminaria aí. Ainda teríamos o espetáculo Night Glows, quando os balões são acesos ao cair da noite, presos ao chão, lembrando lanternas chinesas. Assombrosamente maravilhoso, emoção sem igual:

Ao cair da noite, o subir dos balões
“Montgolfières”, balão a ar, em francês

Os balões acendiam e apagavam, alternadamente, numa espécie de coreografia para as músicas que rolavam. Teve “Light My Fire”, da banda The Doors, sensacional. Eu até tentei gravar mas o som não saiu muito bom. E, vida real, às vezes éramos interrompidos com alguém que tentava competir com o espetáculo pela nossa atenção…!

Selfie para a posteridade
E sentar juntinhas, para admirar o espetáculo

Quando o show acabou, foi hora de partir, maravilhados e agradecidos por tudo o que vimos.

Com o ursinho que ela ganhou na pescaria…Espero que, além dele, alguns desses momentos tão mágicos que passamos juntos fiquem na memória dela…

Dicas para curtir bem o festival:

  • Lembre-se de que o idioma oficial da província de Quebec é o francês, não o inglês. Dá para se virar bem falando inglês mas muita gente não entende nada da língua;
  • Pode levar cooler com comida e bebida (só não alcoólica) para o festival. Há mesinhas para piquenique espalhadas pela área dos brinquedos infláveis;
  • Filtro solar, boné e roupas frescas são imprescindíveis. Faz muito calor por aqui nesta época do ano. Leve até uma troca extra, se puder: a criançada sai de lá imunda! 
  • Hospede-se em Montreal para aproveitar a cidade e o festival numa viagem só;
  • Não confie no Waze! Pelo menos, esse ano, ele nos deixou muito na mão. Montreal está parecendo um canteiro de obras, tem construção para todo lado e o Waze não estava atualizado com os desvios e fechamentos de algumas rodovias. Dê-se um pouco a mais de tempo para se perder.

International Balloon Festival of Saint-Jean-sur-Richelieu

A 40 km do centro de Montreal (Quebec) e 580 km de Toronto (Ontário).

Em 2018, de 11 a 19 de agosto.

Horários:

  • De segunda a sexta-feira: das 14:30h até o último show acabar (mas os brinquedos fecham por volta das 21h)
  • Sábado e domingo: das 12h até o último show acabar (mas os brinquedos fecham por volta das 21h)

Preços:

1 Dia

  • De sexta-feira a domingo: C$ 30 (Adultos, acima de 16 anos) e C$ 15 (Crianças, entre 4 a 15 anos)
  • Sábado: C$ 35 (Adultos) e C$ 20 (Crianças)

Passe para os 9 dias de festival: C$ 80 (Adultos) e C$ 42 (Crianças)

Passe-Família (2 adultos e 2 duas crianças)

  • De sexta-feira a domingo: C$ 85
  • Sábado: C$ 100

Passeio de Balão:

  • Voo da manhã (às 6h): C$ 180
  • Voo da tarde (às 18h): C$ 220

Estacionamento: C$ 10 

Nos vemos no verão do ano que vem em Saint-Jean-sur-Richelieu?! 

 

Meus agradecimentos à Assessoria de Imprensa do festival que me concedeu credencial de imprensa para o evento e nos recebeu tão bem. 

 

Todas as fotos do post de autoria do Blog Alicia e Outros Papos

4 Comments

  1. Estou encantada com toda a estrutura desse evento! Desde a parte para crianças, os fraldarios, desde a grande festa com os balões e claro, o vôo! Aquela foto que seu marido tirou dos balões no ar me emocionou, pois não pude deixar de pensar: uau, a Ale está em um desse balões!!! Que coisa mais linda!!
    Quanta gratidão por participar de algo assim hein?!
    Ah, e com o grande fã, amei o Bidu!!
    Beijossssss

    1. Alessandra Cayley

      Dani, querida! Desculpa pela demora e obrigada pelo comentário! Que bom que gostou, espero que tenha dado vontade ir, ano que vem! Bjs!

  2. Alê que post incrível! Quanta emoção, quantos detalhes valiosos e acima de tudo coragem! Viajei com você e fiquei louca de vontade de ir no pròximo ano (mesmo morrendo de medo hehehe).

    Uma pena que seu marido não conseguiu aproveitar o balão. Mas pelo menos fica a desculpa para voltar no ano que vem né?

    Beijos

    1. Alessandra Cayley

      Ah, que você vai comigo, ano que vem! Você me leva acampar e eu te levo voar! 🙂
      Obrigada pelo comentário e que bom que gostou! Acho que foi melhor mesmo que o Derrick não voou: vamos ter que voltar ano que vem, que chato! Bjao!

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